segunda-feira, 24 de junho de 2019

Casa da Corôa, Costa da Caparica(extinta)

Casa da Coroa, Costa da Caparica, Almada, s/d.
Fotografia de Carlos Caria reproduzida do Mar da Costa.

A Costa da Caparica é uma freguesia portuguesa do concelho de Almada e distrito de Setúbal, localiza-se no topo ocidente da península de Setúbal e possui uma extensa área costeira. Até meados do século XVIII a costa era um lugar inóspito, a tradição piscatória terá sido então iniciada por algarvios e ílhavos que, aqui vinham sazonalmente pescar. Datam de 1770 as primeiras notícias de habitação em permanência na orla costeira, pela mesma altura se fixariam os primeiros mestres de pesca, permanecendo o ano inteiro na Costa. Até as primeiras décadas do século XX, altura em que o turismo balnear se começa a desenvolver, na povoação, existiam apenas umas centenas de barracas de colmo, umas dezenas de barracas de tijolo e meia dúzia de casas abarracadas de pedra e cal, onde viviam casais de prole numerosa. Elevada a cidade em dezembro de 2004, em menos de um século, a Costa da Caparica transforma a forte tradição piscatória num destino turístico balnear muito apreciado, com uma forte transformação urbanística.

Pintura da Casa da Corôa, Costa da Caparica, Almada
Pintura de José Manuel Soares Gandaia

A Casa da Corôa foi construída antes de 1825 pelo Mestre de Redes José dos Santos, uma das primeiras construções em alvenaria na Costa de Caparica. A data da sua construção foi balizada entre 1800 e 1825, altura pela qual registos indicam uma estadia de D. João VI e uma placa adossada ao brasão que encima a porta da fachada com a inscrição, "ANNO 1825". A sua construção precedeu em muitos anos a construção do primeiro edifício religioso em pedra e cale, a pequena Igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição datada de 1880.

Casa da Corôa, Costa da Caparica, Almada, 1980
Fotografia do Centro de Documentação do Centro de Arqueologia de Almada.

A Casa da Corôa erguia-se em harmonia com o meio, encontrava-se alinhado de fronte para o Largo da Coroa e estava limitada pela Rua dos Pescadores, Rua Vitorino José da Silva e Rua D. João VI. A casa unifamiliar, dispunha de planimetria rectangular, vãos rectangulares com emolduramento, dois pisos divididos por friso em cantaria de linhas simples, de pedra e cal, com muito pequenas sugestões eclécticas nos acabamentos, cunhal, silhar em ressalto, um corpo com cobertura homogénea em telhado de 4 águas de beiral duplo. Na fachada, orientada para o Largo da Coroa, a porta é encimada por um brasão real de decoração esculpida em pedra em alto relevo com esfera armilar, armas de Portugal e coroa.

Ruína da Casa da Corôa, Costa da Caparica, Almada, 1996
Fotografia reproduzida da página da SIPA.

Segundo algumas fontes não oficiais, a pedra de armas com brasão real aposto sobre esfera armilar encimado por coroa imperial terá sido colocadas na frontaria da casa em 1825 para assinalar uma   estadia do Rei D. João VI que a 18 de de Junho de 1825, nesta casa o monarca comeu uma saborosa caldeirada feita por uma Maria do Rosário, também conhecida como "Maria do Adrião". Pela  Costa da Caparica terão passado também D. Maria II, o Rei D. Pedro V e sua real consorte D. Estefânia.
Não questionando a veracidade dos factos descritos, até porque esta casa à época,  poderia proporcionar as melhores comodidades a tão ilustres visitantes, as razões pelas quais as armas da Casa Real foram colocadas no seu frontão, poderão ser outras,  prendendo-se sobre tudo com as funções que a mesma desempenhava na altura, ligadas certamente ao serviço da Coroa Portuguesa.

Ruína da Casa da Corôa, Costa da Caparica, Almada, 1996
Fotografia reproduzida da página da SIPA.

Nos anos 70 do século XX, sabe-se que a casa estava entregue ao Sr. "Zé Patrão", que morando no piso superior, explorava o rés-do-chão como padaria, alguns anos mais tarde e até poucos anos antes de cair na ruína, nas suas mediações funcionava uma pequena mercearia gerida pela "tia Júlia", actividade na qual se manteve o fornecimento de pão em regime de revenda, cuja produção era assegurada pela empresa SOCOPAL. 
Depois do 25 de abril de 1974 a Câmara Municipal de Almada não soube preservar a Casa da Corôa como património histórico da vila, hoje cidade e do concelho, ainda que não existam bases sólidas da historia da casa, o simples facto da sua longevidade e simbolismo na construção oitocentista da localidade, penso que sejam factores de sobra para que a mesma tenha sido preservada e ser transformada num atractivo histórico numa cidade que, pela sua curta história de vida,  é relativamente pobre nessa área. 

Pedras de Armas da Coroa Portuguesa, retiradas da casa durante a sua demolição, 2016.
Fotografia reproduzida de  Notícias da Gandaia.

No início da década de 90 a Casa da Corôa encontrava-se em estado avança do de ruína, e rapidamente começo a ameaçar perigo de derrocada, é então que as atenções se começam a debruçar sobre o edifício, mas já com péssimas condições de reabilitação. A 22 de abril de 1996 o IPPAR decidiu pela demolição do edifício por solicitação da Câmara Municipal de Almada, baseada numa vistoria da Delegação Distrital do Serviço Nacional de Proteção Civil de Setúbal que apontava um possível acidente. Esta decisão foi considerada polémica na altura, pois a Casa da Coroa havia sido considerada, dois anos antes, digna de conservação pelo mesmo IPPAR, que, sem sequer enviar qualquer técnico, permitiu a demolição solicitada pela Câmara.

A casa  foi demolida em 1997, as pedras com as armas foram recuperadas e encontram-se no Museu Naval de Almada sem que no entanto tenham sido preparadas para objecto de exposição. O terreno onde outrora se elevava o edifício, foi calcetado e funciona como parque de estacionamento.


"E como não se sentirá o homem pequeno diante desta gigantesca majestade esmagadora. E como se furtará ele de ser orgulhoso quando se lembrar que basta um aceno de sua mão para destruir toda esta obra de uma quase eternidade"                                     Alberto Loefgren                       



Fontes:

"Casa da Coroa", Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, texto de Albertina belo, 1995, e Cecilia Matias, 2001;
"A demolição da Casa da Coroa", Jornal de Almada nº 2348, Ano XLII, 24 de Maio de 1996, Texto de Manuel Lourenço Soares, 1996;

domingo, 23 de junho de 2019

Capela de São Tomás de Aquino, Caparica

Capela de São Tomás de Aquino, 1982.
Fotografia do espólio do Centro de Arqueologia de Almada

Almada é uma cidade e cede de concelho, pertencente ao distrito de Setúbal e esta situada na margem esquerda de estuário do Tejo. A cidade desenvolve-se numa área plana orientada para o estuário, entre a Ponte 25 de Abril e a Trafaria, zona orientada para a foz do Tejo, desenvolvem-se grandes escarpas, zona essencialmente rural e agrícola. Almda é anterior à formação do país, o topónimo deriva de Almadam que significa "mina de ouro ou de prata" referencia à exploração destes metais na encosta do Tejo. Foi conquistada aos mouros a 1147 e recebeu fural de D. Afonso Henriques em 1170, por D. Sancho I em 1190 e mais tarde por D. Manuel em 1513.

Brasão Municipal de Almada.Gravura da obra As Cidades e Villas da Monarquia Portugueza que Teem Brasão d'Armas (III vols., 1860-62; data na capa do vol. I, 1865), de Inácio de Vilhena Barbosa (1811-1890).

Durante séculos a povoação  foi procurada pelos  nobres lisboetas para nela instalar as suas quintas e palácios de veraneio, com interesse nas suas águas sadias, ares lavados e vistas desafogadas. Foi local muito apreciado para esses fins pela Rainha D. Leonor Teles, D. Pedro V,  D. Nuno Álvares Pereira e Gil Vicente que lá escreveu o Auto da Índia em 1509. Hoje, as zonas rurais do concelho de Almada, mantêm as suas quintas com os edifícios e terrenos de cultivo, no entanto outras encontram-se abandonadas e em degradação, abrindo portas para a descaracterização provocada pelos avanços da construção civil. 

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Fachada principal, 1980.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

De entre as mais importantes, destaca-se a Quinta da Torre, cujo nome tem origem numa extinta torre medieval existente no local, possivelmente mandada erguer ou pelos Templários de Cristo ou pela Ordem de Santiago. A Quinta da Torre foi das mais importantes do Reguengo da Caparica, quer pela produção agrícola, que pela proximidade das "Fontes Santas" e pelas relações dos seus proprietários com a família real e nobreza da corte. Esta quinta foi instituída sede de morgadio a 22 de novembro de 1569 por D. Tomás de Noronha, do Conselho de Estado do Rei D. Sebastião, e sua mulher D. Helena da Silva. A 24 de janeiro de 1570, por alvará de D. Sebastião, a instituição do morgadio é autorizada.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Pormenor do frontal do altar, 1980.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

A sede do morgadio da Caparica na Quinta da Torre dispunha de casa de habitação, lagar, celeiro e uma pequena ermida dedicada ao orago de São Tomás de Aquino que se localiza num ponto isolado da quinta. Estes templos, embora estivessem inseridos no espaço das quintas, eram construídos numa zona afastada da casa principal, num local remoto da propriedade, que se apresentava como lugar perfeito para o culto e oração.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Pormenor de óculo e cúpula derrocada, 1980.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

A Capela de São Tomás de Aquino e o poço rectangular, com duas colunas em pedra, existente na mesma quinta, são os únicos monumentos com características arquitectónicas manuelinas em todo o concelho de Almada. A capela foi manda edificar no século XVI,  por D. Tomás de Noronha no pomar da quinta, supostamente sob as ruínas dum morabito árabe. A sua construção é  contemporânea da fundação da Paróquia da Caparica. De arquitectura religiosa, a capela desenvolve-se em planimetria rectangular composta originalmente por uma única nave e capela-mor. No interior, a nave era coberta originalmente por duas abobadas artosoadas que terão caído durante o terramoto de 1755. Subsistem as mísulas de descarga, que apresentam vestígios de pintura, e as pedras de fecho das abóbadas, encontradas durante escavações realizadas no local em 1979.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Pormenor dos capitéis do portal, 1980.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

A fachada principal, fachada contrafortada rasgada por portal ao gosto manuelino ladeado por quatro colunelos que sustentam um arco duplo carena ou contracurvado, formado por duas curvas côncavas em baixo que se prolongam para o vértice do arco em duas curvas convexas, cujo vértice aponta para um óculo que se encontra encimando o portal.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Pormenor de mísula no arranque da abóbada, 1980.
Fotografia reproduzida da Junta de Freguesia da Caparica e Trafaria.

A Capela de São Tomás de Aquino mostra, à semelhança de muitos templos edificados ao longo das primeiras décadas do século XVI, uma simbiose entre as estruturas trado-góticas a introdução da decorações ao gosto manuelino, criando um espaço que, embora seja ecléctico, se apresenta bastante harmonioso.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Arco da capela-mor, 1980.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

Entre o corpo principal e a capela-mor, existe um arco de volta perfeita. A capela apresenta uma cobertura por abóbada polinervada e alberga, junto à parede fundeira, o altar revestido por azulejos enxaquetados, agrupados a formar uma malha geométrica em xadrez utilizando alternadamente a cor verde e branca, numa tipologia utilizada em portugal entre a segunda metade do século XVI e meados do século XVII.

Ruína da Capela de São Tomás de Aquino, Pormenor do arco da capela-mor, c.1980.
Fotografia reproduzida do site Geocaching Portugal.

Apesar das sua pequenas dimensão, aqui se realizaram, sobretudo durante  XVIII, baptizados e casamentos entre as famílias dos Condes dos Arcos e dos Condes de S. Miguel, durante estas cerimónias era comum a presença de importantes pessoas ligadas à corte de D. João V. Contudo, o terramoto de 1755 destruiu a capela que apesar de se ter mantido na posse da família dos Condes dos Arcos até finais do século XIX, não foram realizadas obras de recuperação.

Vista Geral da Capela de São Tomás de Aquino, 1987.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

Em meados do século XX, eram proprietários da capela  o Sr. José Manuel de Menezes Alarcão e o Sr. Nuno José de Menezes Alarcão, no inicio dos anos 80 a capela encontrava-se completamente ao abandono e cheia de entulho, a Câmara Municipal de Almada, sensibilizada para o estado do monumento e no sentido de preservar a memória histórica do mesmo, demonstrou vontade em o adquiri.

Vista Geral da Capela de São Tomás de Aquino, 1987.
Fotografia reproduzida e editada do SIPA.

Depois de constatar o abandono a Câmara Municipal contou com a ajuda do Centro de Arqueologia de Almada para efectuarem, por sua conta e risco, algumas obras de recuperação e preservação do templo. Algumas das obras foram executadas com carácter provisório como por exemplo a chapa de alumínio que serve de cobertura, devido à falta de verbas, não avançaram com obras de carácter mais definitivo.

Vista lateral da Capela de São Tomás de Aquino, 2012.
Fotografia reproduzida do grupo AMO-TE ALMADA.

Por iniciativa da Câmara Municipal de Almada, em 1982 foi elaborado um dossier para candidatura de classificação da capela a monumento, que havia de ser aceite edecisão publicada por decreto a 6 de março de 1996. Todavia, esta classificação em nada viria a mudar o futuro da capela, actualmente o monumento de interesse público, encontra-se esquecido por entre a vegetação que se tem apoderado das suas fachadas.  Por não terem sido efectuadas obras de conclusão para a reabilitação do edifico, o mesmo não foi referenciado para efeitos turísticos permanecendo assim desprotegido e condenando ao abandono permanente.
Armas de D. Sancho de Noronha, 1º Conde de Odemira, 1390,
Armas de Noronha chefe, in Livro do Armeiro-Mor, 1509.

D. Tomás de Noronha nasceu em Alenquer, sendo filho de D. Pedro de Noronha, fidalgo escudeiro do Rei D. Sebastião, e de D. Maria Jordôa. Casou com sua prima D. Helena de Salazar, filha herdeira de Pedro Salazar de Penha, mestre de campo e governador da Torre de S. Julião, e de D. Benedita Jordôa. Tendo enviuvado passou a segundas núpcias em 27 de abril de 1621 com D. Catarina da Veiga, filha de Henrique Esteves da Veiga. Faleceu em Alenquer, em 1651. Jacinto Cordeiro, no Elogio dos poetas lusitanos, publicado em 1631, o coloca entre os mais célebres poetas do seu tempo. Das suas obras poéticas se poderiam formar muitos volumes, mas somente se publicaram alguns Romances e Décimas jocosas, no tomo V da Fenix Renascida, Lisboa, 1728.

Fontes:
"Ruralidade em Almada e Seixal nos Séculos XVIII e XIX - Imagem, Paisagem e Memória", Francisco Manuel Valadares e Silva, UAL, 2008;
"Capela de São Tomás de Aquino", Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, Texto de Isabel Mendonça,Paula Noé, 1992, 2011;

sábado, 22 de junho de 2019

Minas de Aljustrel

Britagem da Mina de Alentejana, Aljustrel.
Fotografia reproduzida e editada de The South Express.

Aljustrel é uma vila portuguesa, sede de concelho pertencente ao Distrito de Beja, região do Baixo Alentejo, edificada num vale entre colinas. A sua área tem vindo a ser ocupada desde a  Pré-Historia, a exploração remonta aos finais do 3º milénio a.c., durante a Idade do Cobre, são dessa época artefactos encontrados nas proximidades do santuário de Nossa Senhroa do Castelo, local onde se situava o povoado desse período. Na sequência da exploração das suas pirites, entre o século I a.c. e século I d.c., os Romanos atribuíram-lhe o nome de Vipasca(local hoje conhecido como Valdoca ou Vale da Oca). A vila de Aljustrel foi reconquistada ao mouros por D. Sancho II em 1225 e doada a Ordem de Santiago nesse mesmo ano. Recebeu fural de D. Afonso III em 1252 e de D. Manuel em 1510.

Minas da Faixa Piritosa Alentejana, Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida e editada de Radio Pax.

As minas de Aljustrel, conhecida nacional e internacionalmente, situam-se na denominada Faixa Piritosa Ibérica, uma das maiores concentrações mundiais de jazigos de sulfuretos maciços(zona de intensa activada vulcânica) que se localizam entre Grândola e Sevilha e representam um importante património industrial mineiro e geológico para o concelho. Ainda antes do domínio Romano na região, já os cartagineses exploravam as minas de Vipasca e São Domingos ou Riotinto, hoje as minas estão distribuídas por três filões principais, Algares, São João do Deserto, Moinho e Feiras, sendo que os dois primeiros eram já explorados no tempo dos Romanos. 

Minas da Faixa Piritosa Alentejana, Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Das minas extraia-se pirites cúpricas e sulfurosas, com vista à extracção de cobre, enxofre e à produção de ácido sulfúrico. O ciclo de exploração moderno teve início em 1845, consequência da revolução industrial, a exploração era feita sobre a forma de corta a céu aberto e através de poços ou galerias, chegando a atingir uma profundidade de 425 metros.
A extracção de enxofre foi muito importante até meados do século XX devido à aplicação na indústria química (fabrico de ácido sulfúrico), muito importante na fabricação de adubos.

Carregamento de vagões das Minas de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Todavia, durante vários séculos a exploração esteve suspensa, na verdade desde a queda do Império Romana, por volta do século IV. A primeira referência, posterior ao império Romano, consta no primeiro fural de 1252, em que a Ordem de Santiago da Espada reserva para si os rendimentos da mina, porventura um sinal de que a mina continuava a produzir. Mais tarde, num levantamento efectuado no inicio do século XVI, regulamento Mineiro de Ayres do Quintal, vem mencionada a mina de Aljustrel, mais uma vez sem qualquer indicação laboral.

Minas da Faixa Piritosa Alentejana, Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Todavia o auge da exploração da-se em meados do século XIX, com o aparecimento da industrialização e do capitalismo. No inicio da década de 90 do século XX, foi efectuado um grande investimento em infraestruturas que funcionavam para a lavagem do pirite, que nada mais era do que a purificação das ligas de enxofre depois de extraditadas as impurezas de chumbo e cobre.

Malacete de São João do Deserto, Minas de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Apesar do grande investimento, a extracção foi suspensa logo em 1993 e só voltaria a ser viável em 2008 com a valorização do cobre, conferindo então uma nova vida  à região. A viabilidade económica das minas da Faixa Piritosa depende actualmente da extracção de cobre, zinco, chumbo e, nalguns casos, de metais preciosos como o ouro e a prata.

Galerias das Minas, Locomotiva de Interior, Minas de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

A história mostra que a exploração do minério não é uma actividade constante nem previsível a longo prazo por duas razões essenciais, a primeira devido à concorrência de países como a China e a Rússia, à baixa de preço do metal no mercado e à diminuição da procura mundial, a segunda prende-se com o esgotamento dos próprios recursos minérios. Também por esses motivos a mina de Aljustrel possui algumas instalações já desactivadas que testemunham a actividade  ocorrida ao longo do século XIX, das quais se destaca um valioso património histórico a preservar.

Desenvolvimento de actividades na base de um Malacete das Minas de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Perante um futuro que se adivinha incerto e na certeza de um património industrial e arqueológico que se degrada,  Aljustrel elaborou um projecto turístico que permitiu integrar as minas e estruturas desactivadas no Roteiro da Faixa Piritosa Ibérica, potencializando a divulgação da cultura regional e promovendo o artesanato local. Contribuindo assim para que o nome e a história de Aljustrel chegue cada vez mais longe, a um maior número de pessoas.

Central Eléctrica  das Mina de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Das antigas instalações, são de realçara ainda uma antiga cementação com edifícios anexos onde se obtinha cobre a partir da sucata de ferro e das águas que vinham do interior da mina, da central eléctrica, uma das mais antigas do Baixo Alentejo e que chegou a fornecer energia a localidades vizinhas, os edifícios de entrada e descida para as antigas galerias e a sala dos compressores de ar para os trabalhos de exploração dos trabalhos mineiros.

Central Electrica da Mina de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

O património mineiro está organizado em duas formas distintas, o património arqueológico que se encontra no Museu Municipal de Aljustrel, o património industrial disperso pelo couto mineiro, como os imóveis e as locomotivas, uma encontra-se no centro de uma rotunda como memorial ou monumento de homenagem.

Bairros Mineiros da Faixa Piritosa Alentejana, Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Os primeiros bairros sociais aparecem no final do século XIX, sequência da intensificação da actividade de exploração. Com publicação a 12 de Outubro 1847 da legislação setembrista, que pôs termo ao monopólio régio sobre o sector, foi concedida a Sebastião de Gargamala (cidadão espanhol), a primeira concessão da mina de S. João, que promoveu melhorias tecnológicas e sociologias bastante substanciais no couto minério. Os bairros foram-se multiplicando no sentido de albergar o numero crescente de operários e familiares. Os bairros eram organizados com casas em bandas contínuas paralelas entre si. As casas situadas nos extremos das bandas eram de maiores dimensões e atribuídas aos capatazes, para cada unidade era permitido o usufruto de um pequeno quintal nas traseiras.  Os engenheiros e quadros superiores possuíam vivendas na rua que ligava a vila à área administrativa da mina e os directores possuíam mansões junto à vila, rodeadas de muros e jardins.

Constituição do primeiro capital da Companhia de Mineração Transtagana, 31/7/1868
Documento reproduzido e editado de numisbids.com.

A concessão da mina passa mais tarde para a Lusitanian Mining Company e logo em seguida para a Companhia de Mineração Transtagana que inicia então a exploração de minério em larga escala, construindo um estabelecimento metalúrgico na Herdade das Pedras Brancas, a cerca de 10 quilómetros de Aljustrel, com campos de ustulação e cementação da pirite.

Concurso para a construção da Travessa Figueirinha, Aljustrel, 1875.
Recorte do Diário Ilustrado n.º 925 de 23 de maio de 1857.

A Companhia de Mineração Transtagana foi a empresa responsável pela construção da linha ferrea que ligava a mina à Estação de Figueirinha, no Caminho de Ferro do Sul, em Portugal. Com esta ligação o transporte para os portos de embarque ficou mais facilitada. Todavia a queda  dos preços do minério nos mercados internacionais e o elevado custo do transporte do minério  haviam de levar  a empresa à falência.

Locomotiva da sociedade belga, mina de Algares, s/d
Fotografaria reproduzida e editada de Open Edition.

Desde os finais do século XIX, que Aljustrel possuia caminho de ferro de grade serventia para o transporte do minério, através da Linha do Alentejo, em 1929 esta infraestrutura deu origem ao Ramal de Aljustrel que pelo declínio da extracção do minério, havia de ser encerrada em 1991.

Impresso da Sociétè Anonyme Belge des Mines d'Aljustrel, relacionado com registos de acidentes.
Documento reproduzido e editado de mineralogie.

Depois da falência da Companhia de Mineração Transtagana, a concessão mineira foi então adquirida em 1898, pela Sociétè Anonyme Belge des Mines d'Aljustrel, tendo mantido a concessão até 1973, posteriormente nacionalizada em 1975. Durante este período foram explorados os filões de S. João e Algares e descobertos novos filões como os do Moinho, Feitais e Gavião.

Trabalhadores das Minas de Aljustrel, s/d.
Fotografia reproduzida de publicação de António Pacheco.

Durante o período em que as minas foram confeccionada à empresa belga, os trabalhadores viram aumentados os seus direitos sociais, foram criadas cooperativas de consumo, uma banda filarmónica, um campo de futebol, um hospital, a empresa promoveu ainda o financiamento da construção de escolas.

Documento relativo à aprovação dos Estatutos da Associação de Classe dos Operários Mineiros de Aljustrel, 1891.
Documento do arquivo do Gabinete de Estratégia e Planeamento.

O Sindicato da Associação de Classe dos Operários das Minas de Aljustrel foi aprovado em 1898,  e foi um dos primeiros a ser constituído em Portugal, com um espírito sobre tudo associativista e cooperativista, esta associação realizou diversas acções no sentido da promoção dos seus associados.
A Associação do Socorro Mútuo Mineira Aljustrelense fundada em 1906, esteve na origem da fundação do "Montepio" Aljustrelense, instituição que auxiliava na prestação de apoio médicos e farmacêuticos aos trabalhadores e família, incluindo subsidio de doença e de funeral.

Imagem de Apresentação da empresa ALMINA, S.A.
Reprodução de frame do video de apresentação da empresa, na sua página, almina.pt.

Em 2001 as minas de Aljustrel foram vendias à empresa canadiana EuroZinc Mining Corporation que, por sua vez as vendeu, em 2009, à empresa, hoje denominada ALMINA - Minas do Alentejo, S.A. Actualmente é produzido concenrado de cobre e a partir das minas de Feitais e Moinhos.

 Roteiro da Pirite na Faixa Piritosa, 2005. Mapa cartográfico adaptado para o Roteiro Turístico de Aljustrel: Arqueologia Mineira - Visita à mina de sulfuretos.

"A Faixa Piritosa Ibérica é uma das principais regiões mineiras da Europa, sendo caracterizada por mais de 90 depósitos de sulfuretos maciços polimetálicos e centenas de jazigos de manganês e de filões de cobre, de chumbo, de bário e antimónio. A pirite é o mineral mais comum, ocorrendo em jazigos com mais de 200 milhões de toneladas de sulfuretos, como Rio Tinto, Neves Corvo e Aljustrel. As mineralizações de sulfuretos formaram-se no Devónico superior – Carbónico inferior (tempo geológico entre 362 e 346 milhões de anos) em ambiente vulcânico e sedimentar submarino. Inserida na Zona Sul Portuguesa a Faixa Piritosa caracteriza-se por um vasto património geológico patente nas suas minas principais (em Portugal, Neves Corvo, São Domingos, Aljustrel, Lousal e Caveira) e em estruturas geológicas como Pomarão, Ourique, Castro Verde, Cercal, Serra Branca e Albernôa e nos vales dos rios Guadiana e Sado, ou das ribeiras de Barrigão, Foupana e Odeleite. Percorra as minas da Faixa Piritosa onde poderá encontrar um património mineiro muito rico e diversificado. Aconselha-se a visita ao Museu de Aljustrel e ao Centro Ciência Viva do Lousal, bem como o percurso nas vilas e aldeias mineiras."

Percurso das Minas de Aljustrel, 2005. Mapa cartográfico adaptado para o Roteiro Turístico de Aljustrel: Arqueologia Mineira - Visita à mina de Aljustrel.

O município de Aljustrel reabilitou as infraestruturas inutilizadas, criando um Parque Mineiro turístico que visou valorizar e divulgar a história desta região, afinal o local despertava já o interesse de muitos curiosos que o visitavam. Assim, criou condições de segurança para que o possam visitar, o projecto inclui percursos pedestres entre crateras e paisagens lunares, chapéus de ferro, chaminés, locomotivas e malacates, e ainda descidas a uma galeria subterrânea.


Casa do Procurador, ruínas da antiga vila romana de Vipasca, Século I - II, 2015
Fotografia reproduzida e editada de Júlia Fernandes.

Casa do Procurardor é uma estrutura integrante do povoado mineiro-metalúrgico romano dos séculos I e II, denominado de Vipasca, relacionado com a exploração do minério, esta estrutura foi descoberta em escavações realizadas em meados do século XX. Já antes das escavações, haviam sido encontrados diversos materiais cerâmicos neste local, que hoje se encontram  no Museu Municipal. 


Campos de Cementação de Pedras Brancas, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da empresa edm, S.A.

A primeira cementação das minas de Aljustrel foi construída por volta de 1867 pela Companhia de Mineração Transtagana  na Herdade das Pedras Brancas e funcionou até meados dos anos 70, nas suas instalações era extraído oxido de cobre. numa espécie de reservatórios, era estagnada água rica em cobre ao passar pela sucata de ferro, dissolvendo-o, depositando o cobre no fundo dos tanques ou canais, formando uma espécie de lama, o cemento. Esta lama (cobre puro) é recolhida e seca em fornos. As escombreidas de Pedras Brancas, uma vasta área abandonada em 1875, ainda hoje se conserva infértil devido à drenagem ácida do minério.

Cementação de Algares, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da empresa edm, S.A.

A Cementação de Algares foi construída no inicio do século XX pela empresa concessionária belga na zona da Mina de Algares. Nestas instalações era produzido óxido de cobre através de um processo idêntico ao sumariamente descrito na Cementação de Pedras Brancas.

Central de Compressores de Ar, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada do Município de Aljustrel.

A Central dos Compressores foi construída  em 1952 e equipada por três compressores nas minas de Algares e funcionou até 1992. Um dos compressores foi construído no Luxemburgo em 1928 os outros dois eram já mais modernos, ambos  funcionavam a energia eléctrica e a diesel. 

Ruína da Chaminé da Transtagana, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da empresa edm, S.A.

A Chaminé da Transtagana, hoje recuperada,  faz parte de u um conjunto de 3 chaminés projectadas pela Companhia de Mineração Transtagana no séc. XIX, durante o período em que esta empresa foi concessionária das minas de Aljustrel.  Estas chaminés seriam utilizadas na queima da pirite para produção de anidrido sulfuroso, utilizado posteriormente na cementação para a obtenção de cobre.

Teleiras das Pedras Brancas, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada do Município de Aljustrel.

Teleiras das Pedras Brancas era uma estrutura que servia para queimar a pilha do  minério proveniente das minas de Algares e S. João do qual se extraiam os diversos componentes como cobre, ferro, zinco ou chumbo, para além de outros em menores quantidades, como estanho, prata e cobalto. Sob a pilha de minério colocava-se uma camada de lenha, a que se pegava fogo para que a pirite entrasse em combustão lenta.

Malacate de São João do Deserto, Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da Município de Aljustrel.

Malacate é uma palavra de origem espanhola,  para designar o elevador metálico sobre o poço de uma mina, utilizada apenas nas minas da Faixa Piritosa.  Malacate de São João do Deserto era uma torre metálica cuja função era transportar pessoal, vagonetas de minério ou materiais que se acomodavam dentro de umas gaiolas ou jaulas que eram deslocadas por cabos verticais sobre o poço da entrada na mina, o movimento dos cabos era accionado por potentes motores eléctricos. Num entanto as jaulas só passaram a transportar também trabalhadores a partir de 1938.

Malacate Poço de Viana, Minas de Aljustrel.
Fotografia reproduzida e editada de mapio.net.

Os primeiros malacartes das minas de Aljustrel foram construídos em maneira meados do século XIX, e eram movidos atraves das primeiras energias fosseis, lenha ou a carvão e, mais tarde, com motores de gás pobre.  O Malacarte do Poço de Viana foi durante largos anos o principal poço de acesso à Mina de Algares e o nome foi atribulado  deriva do apelido de Francisco Vianna, administrador da Casa Bancária Fonseca, Santos & Vianna em finais do séc. XIX, proprietário da concessão mineira.

Malacate Vipasca, Minas de Aljustrel.
Fotografia reproduzida e editada de lifecooler.com

O Malacate do Poço da Vipasca foi inicialmente apelidado de Eyben, derivado do nome do primeiro administrador belga das Minas de Aljustrel em finais do século XIX. Em meados do século XX, a mina de Algares foi remodelada e estabelecida ligação à Mina do Moinho, tendo então o seu nome sido alterado para Vipasca como sinónimo de uma nova mina.

Represa das Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da Município de Aljustrel.

A represa foi construída no inicio do século XX pela emprega concessionária belga para a obtenção de água  para os trabalhos mineiros. Esta albufeira era ainda aproveitada pela população para lavar roupa. Em 1989 foi aumentada a capacidade tendo sido destruído o espaço de lazer que lhe estava adjacente.

Toldas das Minas de Aljustrel, 2016.
Fotografia reproduzida e editada da Município de Aljustrel.

Estas condutas em betão foram construídas para funcionarem como cais carga dos comboios com o minério britado, na parte inferior circulavam os comboios e na parte superior circulavam as vagonetes.

Val'Doca Bairro mineiro , Minas de Aljustrel, 2015.
Fotografia reproduzida e editada do Grupo Alentejo Terra e Gente.


Para além do património material, o município levando os visitantes a conhecer a história e memórias dos locais mais emblemáticos da identidade local, como os bairros mineiros, as tascas ou o sindicato dos mineiros. A visita pode ainda contemplar uma performance do Grupo Coral dos Mineiros de Aljustrel, pioneiro no cante alentejano e símbolo máximo da alma mineira.


Hino dos Mineiros 

Nas minas de São João
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Morreram quatro mineiros
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Morreram quatro mineiros
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá

Eu traga a cabeça aberta 
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
que me abriu uma barrena
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
que me abriu uma barrena
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá

Eu trago a camisa rota
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
E sangue dum camarada
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
E sangue dum camarada
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá

Ó Senhora Santa Bárbara
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Padroeira dos mineiros
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Padroeira dos mineiros
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá

O Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel




O Grupo Coral do Sindicato Mineiro de Aljustrel foi fundado em Janeiro de 1926, é composto por 25 elementos e tem participado em concursos onde tem obtido várias classificações honrosas. Constituído por operários mineiros tem um longo historial de apresentações quer em Portugal quer no estrangeiro. A sua característica mais marcante é o seu traje, fardados com um fato de mineiro azul, um capacete de protecção e ao pescoço trazem  um "lenço tabaqueiro"  com as cores da bandeira Portuguesa impressa. São estes os elementos que constituem um dos mais carismático e singular grupo na história do cantar tradicional do Alentejo e de Portugal.
O Cante Alentejano é desde 2014 Património Cultural Imaterial da Humanidade, entoado por um grupo coral, "em que alternam um ponto a sós e um coro, havendo um alto preenchendo as pausas e rematando as estrofes. O canto começa invariavelmente com um ponto dando a deixa, cedendo o lugar ao alto e logo intervindo o coro em que participam também o ponto e o alto. Terminadas as estrofes, pode o ponto recomeçar com um nova deixa, seguindo-se o mesmo conjunto de estrofes. Este ciclo repete-se o número de vezes que os participantes desejarem. Esta característica repetitiva, assim como o andamento lento e a abundância de pausas contribuem para a natureza monótona do cante".
Cante Alentejano - Wikipédia, 2019

Fontes:

"Historia da Mineração", Câmara Municipal de Aljustrel, in www.mun-aljustrel.pt;
"Aljustrel", Guia Turístico de Portugal de A a Z, Círculo de Leitores, Manuel alves de oliveira, 1990;
"Património Cultural, Património Industrial Português - Minas da Aljustrel", Artur Filipe dos Santos, Universidade Sénior Contemporânea, 2015, pt.slideshare.net;