segunda-feira, 29 de julho de 2019

Torre de Grade ou Torre de Faro, Mó-Grade, Arcos de Valdevez

Grade é uma antiga freguesia portuguesa do concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo. Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Carralcova, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Grade e Carralcova da qual é sede. Antes dessa reforma administrativa, a antiga freguesia era composta pelas seguintes localidades localidades: Agrela, Costa, Gontariz, Mó, Pousada e Vilela.
Em outros tempos  a paróquia atendia pela designação de Gorvellas, a atual designação de Grade, tem origem, segundo a tradição, no facto de nesta região terem sido construídas grades utilizadas pelos portugueses contra os castelhanos.  Ao longo dos séculos a paróquia pertenceu a várias jurisdições, nas inquirições de 1258 surge na lista das igrejas situadas Entre Lima e Minho como pertencente ao Bispado de Tui, em 1444 a comarca eclesiástica de Valença, à qual pertencia, foi reorganizada e a paróquia passou a pertencer à a comarca de Olivença e Bispado de Ceuta. Em 1512, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca de Olivença, recebendo em troca a de Valença, esta permuta viria a ser aprovada em 1513 pelo papa Leão X.
Um confronto celebrizado como "Veiga da Matança", que opôs Afonso Henriques a seu primo Afonso VII de Leão, no qual, de forma a evitar uma batalha campal, acordaram uma luta de cavaleiros de ambos os lados, num torneio ou justa típico da Idade Média. A sorte das armas pendeu para o lado português, tendo os cavaleiros leoneses ficado detidos, conforme o código da cavalaria medieval.
Segundo a lenda, neste episódio, que é retratado como uma batalha, foi encontrada uma relíquia sagrada, denominada Santo Lenho, que segundo a fé cristã crê-se que seja um pedaço retirado da Cruz onde Cristo foi crucificado. Esta relíquia encontra-se na freguesia de Grade, na Igreja Matriz, num sacrário com duas portas fechado a sete chaves todas elas diferentes.
A aldeia desenvolve uma actividade essencialmente agrícola, possui belas paisagens principalmente nas áreas ribeirinhas dos rios Ázere.
Relativamente ao património edificado, os grandes destaques são a Igreja Paroquial de Grade, a Capela da Senhora da Piedade e a Torre de Faro, este último um edifício monumental edificado no séc. XV e que se presume sobre um edifício mais antigo datado do período de ocupação romana e sobre o qual esta publicação se vai debruçar.
Heráldica da antiga freguesia de Grade
Brasão: escudo de azul, reixado de prata, tendo brocante um relicário do Santo Lenho, de ouro, com dobre-cruz de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “GRADE – ARCOS DE VALDEVEZ”.
Foto: Arcos de Valdevez, 2015

A Torre de Grade ou Torre de Faro encontra-se a uns bons metros desviada do núcleo rural, inserida numa propriedade, limitada por caminhos municipais, a noroeste da aldeia. É uma das muitas casas-torres imponentes que foram construídas no final da Idade Média no vale do Lima. Actualmente,  apesar de algumas intervenções efectuadas ao longo dos séculos, o edifício apresenta ainda as características medievais originais, justificado também por um certo abandono que se evidencia hoje com alguma preocupação.  
A origem da casa-torre remonta ao século XV, altura em Álvaro Pires de Grade, marido de D. Branca Lopes Pacheco, pertencente a uma das mais importantes famílias portuguesas da segunda metade do século XIV, a manda construir para nela instalara a residencial do casal. Dessa altura, que a casa nobre quatrocentista, conserva-se ainda parte da estrutura acastelada, (ameias), tipicamente baixo-medieval. De arquitectura medieval, integrada na tipologia conhecida como "casa-torre", a modesta casa nas suas proporções e feições, conjuga torre e ala residencial, para onde se abre a entrada principal, muito simples, ao nível do segundo piso, visto que o primeiro, tal como o da torre, era utilizado como arrecadação/estábulo de apoio à actividade agriculta da quinta.
A lista de proprietários que passaram pela quinta é extensa, em 1680 a quinta integrava já o morgadio da Torre de Grade, cujo direito foi passado de Beatriz Bezerra para Luís Gomes de Abreu, por escritura lavrada em Ponte de Lima em novembro de 1680. Nos finais do século XVII, era senhora da Torre de Grade D. Maria de Abreu Soares, descendente directa de Luís Gomes Abreu, casada com Afonso Pereira de Castro que a doa ao seu filho Francisco Pereira de Castro, 1º Morgado da Andorinha, constituído em 1700. Deverá datar dessa época, ou das décadas seguintes, a profunda remodelação do espaço residencial. Não só se patrocinaram reformas na velha estrutura medieval, como se optou por construir um segundo corpo, adossado ao primeiro.
A quinta havia de ser mantida como morgadio até ao século XIX, e pertencia ao 7.º Morgado da Andorinha, avo do Prof. Eugénio de Castro Caldas, herdeiro e proprietário da casa no século XX.


Na posse de privados desde a sua construção, a Torre da Grade foi classificada em 1878 como Imóvel de Interesse Público, e apresar do abandono de que tem sido alvo,  continua a ser uma referência baixa-medieval na paisagem do Alto Minho, lembrando a organização senhorial do espaço e as muitas mudanças que ocorreram nos edifícios residenciais da nobreza fundiária portuguesa.
Nos últimos anos foram efectuadas, pela família Castro Caldas, já algumas obras de reparação de maior urgência como o telhado que já tinha ruído parcialmente.
Fontes:
"Torre de Grade", Direcção Geral do Património Cultural, DGPC;
"Torre de Grade ou Torre de Faro", Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, SIPA, texto de Paula Noé, 1992;
Grade-Arcos de Valdevez, knoow.net

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